Jornal o Estado de SP

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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Um Olhar METROPOLITANO

Por Alex da Força
A Câmara Municipal de Cotia, no último dia 25, sediou a audiência pública para a discussão da Reorganização da Região Metropolitana da Grande São Paulo (RMSP) em clima de "oba-oba político". A audiência foi frustante a começar pela pouquíssima divulgação do evento em Cotia e nas cidades vizinhas, se estendeu pelas trocas de elogios entre os representantes dos Poderes Executivos e Legislativos da região nas quase três horas da audiência e terminou com protestos da sociedade civil que obteve êxito, aos "45 minutos do segundo tempo", em ter direito ao uso da tribuna para apresentar propostas e cobrar uma maior participação popular com direito a voz e voto no Conselho de Desenvolvimento da RMSP.
Mérito teve o Vice-Prefeito Moisezinho ao participar da primeira audiência realizada na ALESP em reivindicar e conseguir com que em Cotia fosse realizada essa audiência pública.
Alheio aos fatos que ocorreram no último dia 25, a proposta do Governador Alckmin é importantíssima para a reordenação urbana das cidades da RMSP. O processo de conurbação é tão forte que em Cotia,por exemplo, que faz divisa com 11 cidades, há locais que geram dúvidas se pertencem ou não ao município. A cidade de Cotia não conseguirá resolver os problemas relacionados a mobilidade urbana, saneamento, habitação e outros com recursos próprios, por isso o debate na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) com a finalidade de analisar o projeto de lei complementar (PLC) nº 06/2005 que Reorganiza a Região Metropolitana da Grande São Paulo, autoriza o Poder Executivo a criar o respectivo Conselho de Desenvolvimento, a instituir entidade autárquica e a constituir o Fundo de Desenvolvimento Metropolitano de São Paulo é importantíssimo.
Esse projeto não é algo novo !. Em 03 de maio de 2005, através de mensagem à ALESP, o Governador Geraldo Alckmin reafirmou o que reza a Constituição do Estado de São Paulo, em seu artigo 152, "a organização regional do Estado deve promover o planejamento regional para o desenvolvimento sócio-econômico e melhoria da qualidade de vida, a cooperação dos diferentes níveis de governo, visando o máximo aproveitamento dos recursos públicos a eles destinados, a utilização racional dos recursos naturais e culturais de nosso Estado, a proteção do meio ambiente, a integração do planejamento e da execução de funções públicas de interesse comum aos entes públicos atuantes na região e a redução das desigualdades sociais e regionais".
O projeto cria o Conselho de Desenvolvimento da região Metropolitana de São Paulo, de caráter normativo e deliberativo, composto pelo Prefeito de cada Município integrante da região e por representantes do Estado, com a atribuição de, entre outras funções, deliberar sobre os projetos a serem realizados com recursos do Fundo de Desenvolvimento da Região Metropolitana, cuja instituição também está prevista no projeto.O Fundo terá a finalidade de dar suporte financeiro ao planejamento integrado e às ações conjuntas decorrentes, em projetos de interesse comum entre o Estado e os Municípios metropolitanos.
Prevê-se ainda a participação popular no Conselho de Desenvolvimento, no âmbito do Conselho Consultivo, a ser composto por representantes do Poder Legislativo dos Municípios metropolitanos, e por representantes da sociedade civil, bem como se autoriza a criação de autarquia com o fim de integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum da região.
Segundo o PLC 06/2005, ficam mantidos os atuais limites territoriais da Região Metropolitana de São Paulo, composta pelos seguintes Municípios: Arujá, Barueri, Biritiba-Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guararema, Guarulhos, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaqua­quecetuba, Jandira, Juquitiba, Mairiporã, Mauá, Mogi das Cruzes, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santa Isabel, Santana de Parnaíba, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra, São Paulo, Suzano, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista.

O Conselho de Desenvolvimento especifi­cará as funções públicas de interesse comum ao Estado e aos Municípios da Região Metropolitana de São Paulo, dentre os seguintes campos funcionais: I - planejamento e uso do solo; II - transporte e sistema viário regional; III - habitação; IV - saneamento básico; V - meio ambiente;VI - desenvolvimento econômico;VII - atendimento social.

O Fundo fica vinculado à Secretaria de Economia e Planejamento.

A aplicação dos recursos do Fundo será supervisionada por um Conselho de Orientação, composto por 6 (seis) membros, sendo:4 (quatro), do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de São Paulo e 2 (dois) Diretores da autarquia a ser criada. Tanto para a supervisão da aplicação dos recursos do Fundo quanto para o Conselho de Desenvolvimento, no PLC 06/2005, não há a participação da sociedade civil. Essa foi uma das muitas observações relatadas pelos representantes da sociedade civil.

Voltemos ao Fundo: "São objetivos do Fundo de Desenvolvimento da Região Metropolitana de São Paulo: I - financiar e investir em planos, programas e projetos de interesse da Região Metropolitana de São Paulo; II - contribuir com recursos técnicos e financeiros para a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento socioeconômico da Região; a melhoria dos serviços públicos municipais considerados de interesse comum; e a redução das desigualdades sociais da Região".

Precisamos ter um olhar METROPOLITANO para pensar e agir sobre os problemas que afligem os cidadãos da nossa região. É indispensável a participação popular nessa discussão, por isso convoco a todos para participar da última audiência pública na praça principal de Embu (das Artes), no dia 4/5,das 18h às 21h, finalizando o ciclo de debates abertos sobre o PLC 6/2005.


"Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar"

Vamos em frente !!!.




sábado, 9 de abril de 2011

MADE IN CHINA

Por Alex da Força
Há duas semanas em reuniões com empresários de Cotia e Vargem Grande Paulista a discussão envolvendo a crescente importação de produtos chineses para o Brasil teve um grande destaque.

Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), nos últimos cinco anos o Brasil "exportou" mais de 800 mil postos de trabalhos e se nada for feito pelo Governo Federal nos próximos 5 anos poderemos perder aproximadamente 1 milhão de empregos.

Uma sondagem feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que as empresas instaladas no Brasil importarão mais produtos chineses nos próximos meses.

O fato é que quando compramos um produto importado estamos deixando de gerar ou manter os empregos no Brasil. No último carnaval, 80% das fantasias vendidas eram "made in China".

Apesar de criticarmos a abertura irresponsável do nosso mercado interno para os produtos importados chineses que vêm acentuando o processo de desindustrialização no Brasil e a diminuição do PIB (Produto Interno Bruto), a China é o principal comprador de produtos brasileiros.

Em 2001, a China era o sexto destino das exportações brasileiras (3,3%), hoje é o primeiro (15,2%). O Brasil exporta principalmente produtos primários e manufaturas intensivas em recursos minerais com baixo valor agregado (sem nenhuma tecnologia) e importa produtos chineses de baixa a alta tecnologia afetando o setor industrial brasileiro.

Já são muitas as empresas que eram indústrias e alteraram a razão social para distribuidoras de produtos importados fazendo com que no ano passado o Brasil perdesse mais de R$14 bilhões pelo não crescimento do PIB. R$14 bilhões que poderiam ser investidos em educação, saúde pública, infraestrutura aero e portuária, etc e tal.

Nem mesmo os Comunistas Chineses sabem onde vão parar com essa elevada taxa de exportação dos seus produtos para o Brasil e para o Mundo. Existe uma piada que se popularizou na China que fala de um piloto que diz aos passageiros ter uma boa e uma má notícias: "A boa notícia é que estamos adiantados; a má notícia é que estamos perdidos..."

Não sou contra o mercado global, mas é preciso que haja um ambiente sadio de competitividade. Um trabalhador brasileiro recebe salário, têm direitos tais como: Décimo Terceiro Salário, Férias, Seguro Desemprego, Participação nos Lucros e/ou Resultados, jornada de trabalho regulada em Lei, pode se organizar em Sindicatos para ampliar os direitos, entre outros. Na China, o trabalhador recebe salário (baixo), não têm férias remuneradas e proteção social, não têm direito a liberdade de expressão, não vive em estado de direito (Democracia).

As vezes imagino que no Brasil vivemos a Sociedade do "EU". É comum as pessoas participantes de debates sobre assuntos coletivos dizerem: "- Eu não estou aqui para resolver o problema do mundo e sim o meu !". O Estado brasileiro precisa intervir na economia visando a proteção dos trabalhadores, empresários, comerciantes e pessoas jurídicas.

Em Cotia, existe na região central, debaixo dos olhos da Prefeitura, um grande número de comerciantes informais que popularmente são chamados de "Camelôs". A maioria desses cidadãos e cidadãs comercializam produtos "piratas", sem nota fiscal (sem recolher tributos) e muitos vindos de países asiáticos (Taiwan, China, etc). A falta de combate aos produtos piratas também desempregam pessoas e causam grandes perdas para as indústrias e comerciantes que são os principais contribuintes do País.

A lógica do sistema capitalista é transformar dinheiro em mais dinheiro. É preciso que a sociedade debata um desenvolvimento que seja justo e sustentável priorizando a qualidade do que consumimos e produzimos e não a quantidade.

Após 100 dias de mandato, chegou o momento da "Dona" Dilma aplicar seus conhecimentos "economês" para fortalecer a indústria nacional e os milhões de empregos atuais e vindouros.

A discussão deve ser Política, deve ser tratada coletivamente e não somente na "sociedade do EU". Costumo dizer: "Se você quer salvar a sua alma vá para a igreja. Se quer salvar vidas participe da Política". As igrejas estão cheias e o debate político esvaziado...

Afinal vivemos em um mundo "interligado" e são inúmeras as possibilidades de troca e apropriação de pensamentos que podem se reiventar em algo novo e promissor. Acredito que poderemos melhorar a relação Brasil - China.

Como diz o economista brasileiro, Edgar de Nóbrega, "Do sonho a Realidade é preciso caminhar..."

Vamos em frente !!!