Há duas semanas em reuniões com empresários de Cotia e Vargem Grande Paulista a discussão envolvendo a crescente importação de produtos chineses para o Brasil teve um grande destaque.
Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), nos últimos cinco anos o Brasil "exportou" mais de 800 mil postos de trabalhos e se nada for feito pelo Governo Federal nos próximos 5 anos poderemos perder aproximadamente 1 milhão de empregos.
Uma sondagem feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que as empresas instaladas no Brasil importarão mais produtos chineses nos próximos meses.
O fato é que quando compramos um produto importado estamos deixando de gerar ou manter os empregos no Brasil. No último carnaval, 80% das fantasias vendidas eram "made in China".
Apesar de criticarmos a abertura irresponsável do nosso mercado interno para os produtos importados chineses que vêm acentuando o processo de desindustrialização no Brasil e a diminuição do PIB (Produto Interno Bruto), a China é o principal comprador de produtos brasileiros.
Em 2001, a China era o sexto destino das exportações brasileiras (3,3%), hoje é o primeiro (15,2%). O Brasil exporta principalmente produtos primários e manufaturas intensivas em recursos minerais com baixo valor agregado (sem nenhuma tecnologia) e importa produtos chineses de baixa a alta tecnologia afetando o setor industrial brasileiro.
Já são muitas as empresas que eram indústrias e alteraram a razão social para distribuidoras de produtos importados fazendo com que no ano passado o Brasil perdesse mais de R$14 bilhões pelo não crescimento do PIB. R$14 bilhões que poderiam ser investidos em educação, saúde pública, infraestrutura aero e portuária, etc e tal.
Nem mesmo os Comunistas Chineses sabem onde vão parar com essa elevada taxa de exportação dos seus produtos para o Brasil e para o Mundo. Existe uma piada que se popularizou na China que fala de um piloto que diz aos passageiros ter uma boa e uma má notícias: "A boa notícia é que estamos adiantados; a má notícia é que estamos perdidos..."
Não sou contra o mercado global, mas é preciso que haja um ambiente sadio de competitividade. Um trabalhador brasileiro recebe salário, têm direitos tais como: Décimo Terceiro Salário, Férias, Seguro Desemprego, Participação nos Lucros e/ou Resultados, jornada de trabalho regulada em Lei, pode se organizar em Sindicatos para ampliar os direitos, entre outros. Na China, o trabalhador recebe salário (baixo), não têm férias remuneradas e proteção social, não têm direito a liberdade de expressão, não vive em estado de direito (Democracia).
As vezes imagino que no Brasil vivemos a Sociedade do "EU". É comum as pessoas participantes de debates sobre assuntos coletivos dizerem: "- Eu não estou aqui para resolver o problema do mundo e sim o meu !". O Estado brasileiro precisa intervir na economia visando a proteção dos trabalhadores, empresários, comerciantes e pessoas jurídicas.
Em Cotia, existe na região central, debaixo dos olhos da Prefeitura, um grande número de comerciantes informais que popularmente são chamados de "Camelôs". A maioria desses cidadãos e cidadãs comercializam produtos "piratas", sem nota fiscal (sem recolher tributos) e muitos vindos de países asiáticos (Taiwan, China, etc). A falta de combate aos produtos piratas também desempregam pessoas e causam grandes perdas para as indústrias e comerciantes que são os principais contribuintes do País.
A lógica do sistema capitalista é transformar dinheiro em mais dinheiro. É preciso que a sociedade debata um desenvolvimento que seja justo e sustentável priorizando a qualidade do que consumimos e produzimos e não a quantidade.
Após 100 dias de mandato, chegou o momento da "Dona" Dilma aplicar seus conhecimentos "economês" para fortalecer a indústria nacional e os milhões de empregos atuais e vindouros.
A discussão deve ser Política, deve ser tratada coletivamente e não somente na "sociedade do EU". Costumo dizer: "Se você quer salvar a sua alma vá para a igreja. Se quer salvar vidas participe da Política". As igrejas estão cheias e o debate político esvaziado...
Afinal vivemos em um mundo "interligado" e são inúmeras as possibilidades de troca e apropriação de pensamentos que podem se reiventar em algo novo e promissor. Acredito que poderemos melhorar a relação Brasil - China.
Como diz o economista brasileiro, Edgar de Nóbrega, "Do sonho a Realidade é preciso caminhar..."
Vamos em frente !!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário