Por Alex da Força
A internet já está incorporada no nosso ecossistema social. De tão presente, muitos de nós não saberíamos mais viver sem ela.
Segundo dados da I.W.S. (Internet World Stats), o Brasil é o quinto País do mundo com o maior número de usuários de internet, ficando atrás da China, Estados Unidos, Japão e Índia. Entretanto se compararmos a proporção de usuários com o total da população, constataremos que apenas 43% dos brasileiros têm acesso a rede internacional de computadores ( 47% nos centros urbanos e 21% nas áreas rurais) . Para compararmos, os Países que compõem o G8 ( Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia) a internet chega a 70,2% da população.
Do total de usuários no Brasil, 45% acessam a internet através das lan houses. Dos usuários que acessam a internet através das lan houses a maioria deles mora nas áreas mais carentes do país.
De olho nesse crescimento, surgiu na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) o embrião do projeto E-Cidadão que se tornou o propulsor das novas políticas de inclusão digital no Brasil.
Tempos atrás, o consultor de inovação e ciberativista, João Carlos Caribé, publicou a "pirâmide das necessidades em midias sociais" baseada em Maslow. Essa pirâmide pode ser perfeitamente aplicada no processo de inclusão digital e na construção do e-cidadão.
As fases dessa pirâmide das necessidades são: conhecimento técnico; conexão, acesso; interação, participação; estima, fama; autorrealização.
O conhecimento técnico mínimo necessário para permitir ao usuário a utilização de um dispositivo computacional deveria ser parte da grade curricular das redes de ensino. Mas quantas são as unidades escolares que possuem computadores com acesso a internet? Acredito que na rede particular existam muito mais do que na rede pública de ensino.
Para aprofundar essas mudanças, o Brasil precisa aprovar e instituir um Plano Nacional de Banda Larga que atenda ao interesse público, com internet de alta velocidade para todos os brasileiros.
Estamos presenciando o surgimento do 5º Poder, dentro do regime democrático de direito, que é a sociedade organizada e conectada (e-cidadão).
Relembremos a força do 5º Poder através das grandes manifestações que surgiram nas redes socais, na internet:
Recentemente ocorreu a Manifestação "SOS Morumbi" organizada via Facebook e que contou com a participação de aproximadamente 3 mil pessoas exigindo políticas públicas eficazes de segurança no bairro.
Alguns meses antes, ocorreu o Protesto da "gente diferenciada" que reuniu milhares de pessoas na cidade de São Paulo para protestar contra a discriminação e o preconceito social. Essa manifestação foi organizada e divulgada via redes sociais.
A cidade de Cotia também participou dessa onda e-cidadã! No último dia 13 de agosto, aconteceu o ato "Belo Monte é Aqui". Esse Ato foi divulgado nas redes sociais se propagando similarmente ao popular "boca a boca". Nessa data se reuniram na Praça da Matriz, centro de Cotia, o Centro Cultural Popular com o apoio de algumas culturas e artistas populares, como o Grafite, exposição de quadros e cultura indígena. Até a torcida organizada do Corinthians, a Estopim, participou do manifesto que teve como objetivo alertar a sociedade sobre os impactos sociais e ambientais do projeto da usina de Belo Monte, assim como protestar contra o crescente desmatamento autorizado na cidade de Cotia. O interessante é que esse Ato foi o primeiro na cidade de Cotia que não teve nenhum vínculo com partidos políticos ou com a Prefeitura da cidade.
Ainda em Cotia, são inúmeros os exemplos de participação dos e-cidadãos que debatem, propõem e se organizam com o intuito de melhorar a qualidade de vida e instituir um desenvolvimento ambientalmente sustentável.
Muitos pensadores dos Três Poderes ( Executivo, Legislativo e Judiciário) temem pelo fortalecimento do quinto Poder e principalmente pela aliança, que já se mostrou promissora, com o quarto Poder (mídias, jornalistas).
São muitas as pautas das midias impressas ou virtuais que são retiradas dos fóruns de discussões e das redes sociais da internet o que resulta, na maioria das vezes, em uma demanda enorme de trabalho para os outros três Poderes.
Por isso estão tentando amordaçar a imprensa, sufocar os "gritos" dos e-cidadãos e protelar a universalização da banda larga gratuita.
O jornalista e poeta brasileiro, Olavo Bilac, em 1903 dizia que "A pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos, é o idioma criado ou herdado pelo povo." Passado centenas de anos dessa imortal frase de Olavo Bilac, a sociedade brasileira continua a se comportar como antes: valoriza mais o "ter" do que o "saber".
Por fim, quantos "Gaddafi" e "Mubarak" precisarão cair para que não tenhamos qualquer tipo de censura ou restrição à internet?
Façamos a nossa parte e-cidadãos !!!
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