Jornal o Estado de SP

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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

OS MORROS DOS MACACOS DE COTIA


Todos os dias ao atravessar a Rodovia Raposo Tavares observo a arquitetura dos prédios e residências no seu entorno. Por incrível que pareça não são os belos e glamorosos prédios, empreendimentos comerciais e residências da Granja Viana que me chamam a atenção e sim o formato das submoradias do local conhecido como “Morro do Macaco”.

Fico a pensar como são possíveis barracos e puxadinhos de alvenarias resistirem, uns sobre os outros, em um morro cuja parte voltada para a visualização na Rodovia Raposo Tavares é muito íngreme.

Já assistimos estarrecidos vários prédios, construídos por famosos engenheiros, ruírem. No “morro do macaco” houve alguns momentos que os barracos ruíram, não pela incompetência dos que construíram, mas pela ação da natureza.

São com esses olhares que volto a escrever os meus artigos.

A cidade de Cotia é uma das mais ricas do Estado de São Paulo e continua a ter uma gestão e o “pensar” de uma pequena cidade. Existem vários “morros do macaco” na cidade onde a população, por falta de uma política habitacional municipal voltada aos trabalhadores e as pessoas de baixa renda, vivem em áreas de riscos e em submoradias.

É indispensável garantir o direito a cidade a todos.

O direito a cidade é a garantia ao acesso universal aos direitos de cidadania e aos serviços aos cidadãos. Cabem a Prefeitura e a população garantirem a inclusão dos excluídos.

Tempos atrás estive a conversar com uma educadora do ensino fundamental de Cotia e conversávamos sobre como as pessoas escrevem de maneira errada nas redes sociais e as dificuldades apresentadas pelas pessoas ao realizarem simples cálculos matemáticos. Ao final da conversa, chegamos a uma conclusão: por mais interesse que hajam dos professores em promoverem uma educação de qualidade e para a vida, os meios (métodos educacionais, ambiente de ensino, etc.) não ajudam.

O relatório de Olho nas Metas, do Movimento Todos Pela Educação, interpretou o fraco desempenho dos alunos do Ensino Fundamental: “Como resposta a uma combinação de falhas que se arrastam do 6º ao 9º ano – entre elas um incentivo à leitura sem sucesso, um limbo Escolar enfrentado por Alunos que não recebem e precisam de acompanhamento pedagógico e um currículo desinteressante e limitador –, 85,3% dos jovens matriculados no último ano do Ensino fundamental não sabem o mínimo esperado em matemática e 73,8% em língua portuguesa.”

Talvez por não souber fazer cálculos matemáticos que aproximadamente 70% dos estudantes de engenharia da USP – Universidade de São Paulo – desistem do curso.

O crescimento de Cotia está mais para um “morro do macaco” do que para uma “Granja Viana”. Enquanto os gestores municipais não levarem a população e a cidade à sério, continuaremos a ter “puxadinhos” na saúde, educação, segurança pública, transporte público, etc, sem que tenhamos de fato políticas públicas sólidas, permanentes e inclusivas.

Para muitos ter uma cidade ideal é apenas um sonho.

Do sonho à realidade é necessário caminhar...

Façamos a nossa parte!.

domingo, 29 de abril de 2012

Os 200 anos de Cotia.

Por Alex da Força
Ao completar 156 anos de emancipação política e administrativa, a cidade inicia os seus preparativos para comemorar o seu segundo centenário. A pergunta que farei é a seguinte:

Que Cotia queremos?

Ao analisar esses 156 anos, todos os Prefeitos que passaram praticamente abriram mão do planejamento urbano em troca das inúmeras concessões feitas as empreiteiras e ao mercado imobiliário, que acabou de fato sendo os responsáveis pelo arranjo urbano. O incentivo a ocupação das margens da Rodovia Raposo Tavares, da Rodovia Bunjiro Nakao e da Estrada de Caucaia do Alto trouxe consigo o problema da divisão da cidade, o adensamento urbano e prejudicou a mobilidade urbana.

Por não haver financiamento público para as campanhas eleitorais, no passado eram as grandes empreiteiras que dependiam de obras públicas; no presente é o mercado imobiliário formal, os órgãos das incorporadoras, as empresas de ônibus, as empresas de lixo, etc, que financiam as campanhas e, quando o candidato ganha, já assume amarrado.

Cotia experimenta um crescimento imobiliário que alavanca os preços dos aluguéis e para a compra de empreendimentos muito acima da inflação. Mas a expansão desordenada da cidade não se dá exclusivamente pelo crescimento econômico e a falta de compromisso das pessoas com o planejamento e a mobilidade urbana. Um fator a considerar é a administração pública (Poderes Executivo e Legislativo) que abriram mão do planejamento urbano em troca das concessões feitas ao mercado imobiliário, que acabou sendo o responsável por ordenar o crescimento de Cotia e impôs novas vocações econômicas (No passado era a agricultura, na década de 90 foi a industrial, no presente é o setor de serviços. E no futuro, qual será a vocação econômica de Cotia?).

Muitas pessoas questionam as licenças para as construções de residências em Cotia, o que gerará um aumento significativo da procura por equipamentos públicos tais como: centros educacionais, creches, unidades básicas de saúde, hospitais, etc. O problema da habitação urbana na verdade se trata de um problema social. A lógica mercadológica da terra funciona da seguinte maneira: é necessário muito investimento público para atrair investimento privado. Afinal, Cotia pretende ser amanhã a cidade-global que São Paulo é hoje, gerador de oportunidades e exclusão social.

Anos atrás, tínhamos orgulho de dizer que morávamos em uma cidade que tinha 65% do total da sua área coberta com matas. Hoje nos entristecemos por saber que menos de 50% da vegetação está preservada, que quase a totalidade das margens do Rio Cotia está ocupada irregularmente, que os constantes congestionamentos da Rodovia Raposo Tavares pioram a qualidade do ar e a qualidade de vida dos Cotianos, que a represa e a Reserva Florestal do Morro Grande poderão ser afetadas pela duplicação da Estrada de Ferro sob a concessão da ALL – América Latina Logística, etc.

Os problemas da cidade de Cotia são muitos, mas quando pararemos de reclamar e passaremos a ter atitudes em prol de uma cidade que respeite as pessoas, o meio ambiente e com práticas visando o desenvolvimento sustentável?.

A eleição deste ano é um excelente ponto de partida para destravar essa discussão.

Façamos a nossa parte !.

“Difícil não é apagar as pegadas na areia e sim caminhar sem tocar os pés ao chão”.




















domingo, 12 de fevereiro de 2012

SENAI COTIA : Mais oportunidades do que riscos.

Pouca gente sabe, mas há muito tempo a sociedade vem reivindicando uma unidade do SENAI em Cotia. Eu mesmo fui e continuo sendo um incentivador para que essa reivindicação seja atendida. Entretanto, desde 2007, o empresário e cidadão Cotiano Luis Gustavo Napolitano interviu junto a administração pública local e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e conseguiu esse importante centro profissionalizante para a cidade. Em breve, não precisaremos mais sair de Cotia para ir a Osasco, São Paulo ou Jandira para fazer um curso profissionalizante no SENAI.
O local foi escolhido estrategicamente para que futuramente, caso o Distrito de Caucaia do Alto e a cidade de Vargem Grande Paulista possuam um parque industrial pujante, como o de Cotia, possam receber também uma ou mais unidades de ensino profissionalizante do SENAI.
O SENAI COTIA será construído num terreno de 42 mil metros quadrados, cedido pelo município, na gestão do Prefeito Carlão Camargo, no Parque São George (Macrorregião da Granja Viana). Serão 9 mil metros de área construída, 4.000 metros quadrados a mais do que o primeiro projeto apresentado.
O SENAI COTIA será muito mais do que uma unidade educacional para formação profissional que terá biblioteca, auditório com 250 lugares, quadra poliesportiva coberta, laboratório para aulas técnicas, acessibilidade total para cadeirantes e deficientes visuais, etc. Para a população do Parque São George e principalmente para quem mora na Rua Direita será a ocupação de um local que hoje é destinado a "desova" de cadáveres, de veículos furtados e/ou roubados e para o uso de drogas que geram medo e insegurança as pessoas que residem no entorno do futuro local da obra. Atualmente, são milhares de pessoas que se sentem inseguros ao passar pelo local (moradores circunvizinhos, estudantes de uma escola pública estadual que fica ao lado do local, frequentadores do Parque Municipal Teresa Maia e do Clube Pitangueiras, entre outros).

Em uma reunião recente com o SubPrefeito da Granja Viana e também representante da FIESP, Luis Gustavo Napolitano, que é o responsável pelo projeto executivo do SENAI COTIA, parabenizei-o pela visão sistêmica, pois além de tudo o SENAI COTIA ainda recuperará a área que no passado era uma espécie de aterro não controlado e hoje é um local onde as pessoas descartam restos de construção, sofás velhos, lixos domésticos, etc. Ninguém precisa ter dúvidas que o SENAI COTIA ao revitalizar a área onde ficará valorizará a região circunvizinha.

Uma das principais críticas ao projeto era a questão do transporte público para o bairro. A SubPrefeitura da Granja Viana se comprometeu a criar e/ou modificar itinerários dos transportes públicos (ônibus e/ou Vans) para o bairro com o objetivo de estimular o não uso dos veículos de passeio evitando possíveis congestionamentos e precarização da qualidade do ar.

Os desportistas reclamam da mudança do campo de futebol, que está na área cedida para a construção do SENAI, para uma outra área a 500 metros do local e se esquecem que atualmente o campo é mal utilizado, ficando a maioria do tempo sem nenhuma prática de esportes, e ainda serve como esconderijo de bandidos que a noite se aproveitam da falta de iluminação do local. O local escolhido para o novo campo de futebol trará mais segurança e conforto para os jogadores e seus entes queridos.

Na reunião que participei não fui somente para conhecer ou tecer elogios ao futuro SENAI COTIA, fui discutir o que queremos de formação para os trabalhadores da nossa cidade.

Cotia é uma das principais economias do Estado de São Paulo, possui um grande parque industrial gerador de empregos, mas lamentavelmente 60% dos empregos que requerem qualificação são ocupados em sua maioria por pessoas vindas das cidades de São Paulo e Osasco.

Não faltam empregos nas indústrias de Cotia, o que falta são pessoas com as qualificações profissionais necessárias para ocuparem as vagas em aberto.

Eu tenho muitos sonhos e dentre eles está o de ver os moradores de Cotia tendo uma boa formação profissional, disputando de igual para igual com outros trabalhadores qualificados o competitivo mercado de trabalho e principalmente deixando de ocupar baixos cargos com baixas remunerações.

Há uns cinco anos venho debatendo um outro assunto com os empresários paulistas que é relacionado ao cursos que são oferecidos pelo SENAI. Para mim, o sistema "S" (Senai, Senac, Sesi, etc) que é mantido com dinheiro público, os cursos oferecidos por esse sistema deveriam ser gratuitos. Nesse sentido possuo o mesmo pensamento e sonho que a educadora Carmen Evangelho:

" O meu sonho é que o dinheiro publico pudesse ser gerenciado de forma tripartite (Empresários - Trabalhadores - Governo) e paritaria de verdade (Empresários e Trabalhadores), inclusive discutindo com competencia o que queremos de formação para os trabalhadores ... quem sabe um dia isso acontece ....".

Quem sabe...

Por fim, não misturemos "alhos com bugalhos". O SENAI COTIA veio para gerar mais oportunidades do que riscos a economia e a população Cotiana. Podemos questionar e debater, por exemplo: a utilização do local, a mobilidade urbana, a grade e o financiamento dos cursos. Mas saíbamos jogar o jogo para não chutarmos a bola para fora do estádio.

Façamos a nossa parte !!!.