Por Alex da Força
Ao completar 156 anos de emancipação política e administrativa, a cidade inicia os seus preparativos para comemorar o seu segundo centenário. A pergunta que farei é a seguinte:
Que Cotia queremos?
Ao analisar esses 156 anos, todos os Prefeitos que passaram praticamente abriram mão do planejamento urbano em troca das inúmeras concessões feitas as empreiteiras e ao mercado imobiliário, que acabou de fato sendo os responsáveis pelo arranjo urbano. O incentivo a ocupação das margens da Rodovia Raposo Tavares, da Rodovia Bunjiro Nakao e da Estrada de Caucaia do Alto trouxe consigo o problema da divisão da cidade, o adensamento urbano e prejudicou a mobilidade urbana.
Por não haver financiamento público para as campanhas eleitorais, no passado eram as grandes empreiteiras que dependiam de obras públicas; no presente é o mercado imobiliário formal, os órgãos das incorporadoras, as empresas de ônibus, as empresas de lixo, etc, que financiam as campanhas e, quando o candidato ganha, já assume amarrado.
Cotia experimenta um crescimento imobiliário que alavanca os preços dos aluguéis e para a compra de empreendimentos muito acima da inflação. Mas a expansão desordenada da cidade não se dá exclusivamente pelo crescimento econômico e a falta de compromisso das pessoas com o planejamento e a mobilidade urbana. Um fator a considerar é a administração pública (Poderes Executivo e Legislativo) que abriram mão do planejamento urbano em troca das concessões feitas ao mercado imobiliário, que acabou sendo o responsável por ordenar o crescimento de Cotia e impôs novas vocações econômicas (No passado era a agricultura, na década de 90 foi a industrial, no presente é o setor de serviços. E no futuro, qual será a vocação econômica de Cotia?).
Muitas pessoas questionam as licenças para as construções de residências em Cotia, o que gerará um aumento significativo da procura por equipamentos públicos tais como: centros educacionais, creches, unidades básicas de saúde, hospitais, etc. O problema da habitação urbana na verdade se trata de um problema social. A lógica mercadológica da terra funciona da seguinte maneira: é necessário muito investimento público para atrair investimento privado. Afinal, Cotia pretende ser amanhã a cidade-global que São Paulo é hoje, gerador de oportunidades e exclusão social.
Anos atrás, tínhamos orgulho de dizer que morávamos em uma cidade que tinha 65% do total da sua área coberta com matas. Hoje nos entristecemos por saber que menos de 50% da vegetação está preservada, que quase a totalidade das margens do Rio Cotia está ocupada irregularmente, que os constantes congestionamentos da Rodovia Raposo Tavares pioram a qualidade do ar e a qualidade de vida dos Cotianos, que a represa e a Reserva Florestal do Morro Grande poderão ser afetadas pela duplicação da Estrada de Ferro sob a concessão da ALL – América Latina Logística, etc.
Os problemas da cidade de Cotia são muitos, mas quando pararemos de reclamar e passaremos a ter atitudes em prol de uma cidade que respeite as pessoas, o meio ambiente e com práticas visando o desenvolvimento sustentável?.
A eleição deste ano é um excelente ponto de partida para destravar essa discussão.
Façamos a nossa parte !.
“Difícil não é apagar as pegadas na areia e sim caminhar sem tocar os pés ao chão”.
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