Todos os dias ao atravessar
a Rodovia Raposo Tavares observo a arquitetura dos prédios e residências no seu
entorno. Por incrível que pareça não são os belos e glamorosos prédios,
empreendimentos comerciais e residências da Granja Viana que me chamam a
atenção e sim o formato das submoradias do local conhecido como “Morro do
Macaco”.
Fico a pensar como são possíveis
barracos e puxadinhos de alvenarias resistirem, uns sobre os outros, em um
morro cuja parte voltada para a visualização na Rodovia Raposo Tavares é muito
íngreme.
Já assistimos estarrecidos
vários prédios, construídos por famosos engenheiros, ruírem. No “morro do
macaco” houve alguns momentos que os barracos ruíram, não pela incompetência
dos que construíram, mas pela ação da natureza.
São com esses olhares que
volto a escrever os meus artigos.
A cidade de Cotia é uma das
mais ricas do Estado de São Paulo e continua a ter uma gestão e o “pensar” de
uma pequena cidade. Existem vários “morros do macaco” na cidade onde a
população, por falta de uma política habitacional municipal voltada aos
trabalhadores e as pessoas de baixa renda, vivem em áreas de riscos e em
submoradias.
É indispensável garantir o
direito a cidade a todos.
O direito a cidade é a
garantia ao acesso universal aos direitos de cidadania e aos serviços aos
cidadãos. Cabem a Prefeitura e a população garantirem a inclusão dos excluídos.
Tempos atrás estive a conversar com uma educadora do ensino
fundamental de Cotia e conversávamos sobre como as pessoas escrevem de maneira
errada nas redes sociais e as dificuldades apresentadas pelas pessoas ao
realizarem simples cálculos matemáticos. Ao final da conversa, chegamos a uma
conclusão: por mais interesse que hajam dos professores em promoverem uma
educação de qualidade e para a vida, os meios (métodos educacionais, ambiente
de ensino, etc.) não ajudam.
O relatório de Olho nas Metas, do Movimento Todos Pela Educação,
interpretou o fraco desempenho dos alunos do Ensino Fundamental: “Como resposta
a uma combinação de falhas que se arrastam do 6º ao 9º ano – entre elas um
incentivo à leitura sem sucesso, um limbo Escolar enfrentado por Alunos que não
recebem e precisam de acompanhamento pedagógico e um currículo desinteressante
e limitador –, 85,3% dos jovens matriculados no último ano do Ensino
fundamental não sabem o mínimo esperado em matemática e 73,8% em língua
portuguesa.”
Talvez por não souber fazer
cálculos matemáticos que aproximadamente 70% dos estudantes de engenharia da
USP – Universidade de São Paulo – desistem do curso.
O crescimento de Cotia está
mais para um “morro do macaco” do que para uma “Granja Viana”. Enquanto os
gestores municipais não levarem a população e a cidade à sério, continuaremos a
ter “puxadinhos” na saúde, educação, segurança pública, transporte público,
etc, sem que tenhamos de fato políticas públicas sólidas, permanentes e
inclusivas.
Para muitos ter uma cidade
ideal é apenas um sonho.
Do sonho à realidade é
necessário caminhar...
Façamos a nossa parte!.
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