
Por Alex da Força
Aos dois anos de idade, saí com a minha família da cidade de Rio Largo, Alagoas, para morar em uma residência alugada na Vila Ayrosa, em Osasco.
Cresci nesse bairro pobre e violento de Osasco até a minha adolescência. O filho da proprietária que alugou a residência para a minha família, o Luizinho, era diretor do Sindicato dos Bancários.
Uma vez estava "brincando de bola" quando passou um pessoal "barbudo" por mim. Era o Lula (ex-Presidente da República), o João Paulo morador do bairro (atual Deputado Federal) e outros.
Eu não sabia, mas era ali que o pessoal discutia as estratégias para derrubar o golpe militar brasileiro e organizar os movimentos pró Diretas Já.
Era comum passar pessoas para essas reuniões as escondidas, que na época não fazia ideia quem eram, mas que ajudaram na conquista do Regime Democrático de Direito que hoje vivemos.
Um certo dia, apareceu para essas reuniões um rapaz alto, barbudo e magro. Meus familiares, torcedores fanáticos pelo Corinthians, foram ao seu encontro para cumprimentá-lo. Era o Dr. Sócrates.
O Dr Sócrates estava acompanhado do Casagrande e um radialista famoso conhecido como "O Pai da Matéria", o Osmar Santos. Eu estava na porta de casa vestido com a camisa do São Paulo e o Dr. Sócrates falou: - " Menino, quer trocar essa camisa por uma minha do Corinthians ?". Eu disse que não. Foi quando o Osmar Santos sorriu, passou a mão na minha cabeça e disse: "- Bom menino".
Este prefácio são apenas lembranças de pessoas que na época não sabia a importância que teriam para o Brasil de hoje e para a minha formação política. Sou apenas um entre milhares de pessoas que conheceram pessoas que lideraram de alguma maneira o movimento pelas Diretas Já no Brasil.
Como São Paulino, eu não gostava de ver o Dr. Sócrates, jogador do Corinthians, em campo contra o tricolor paulista. Quando ele não fazia gol, "orquestrava" o time para a vitória. Mas eu o admirava pela luta que tivera ao instituir junto com o Casagrande, Wladimir, Biro-Biro e outros, a Democracia Corinthiana onde o voto do roupeiro do Corinthians valia o mesmo do que o do presidente da agremiação. Isso o meu tricolor paulista não tinha...
Dentro desse espírito de igualdade, Sócrates, jogador do Brasil nas Copas de 1982 e 1986, chegou a ser convidado para ser treinado do time de Cuba e a única exigência que fez foi o de ganhar o mesmo salário pago a qualquer trabalhador daquele País.
O Dr. Sócrates era um cidadão politizado que via o mundo com o olhar dos explorados. Morreu acreditando em um outro mundo possível.
Valeu Doutor Sócrates !!!.
Qualquer dia Companheiro a gente vai se encontrar. Só lamento por você não ter conseguido driblar os "copos"...
"Futebol não se joga com os pés e sim com a cabeça" ( Dr. Sócrates, jogador de futebol ).
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